Gustnado quase se forma na comunidade Pantanal durante vendaval em Piracicaba

Vórtice foi registrado na comunidade Pantanal

Um “princípio de gustnado” foi registrado na comunidade Pantanal, no Jardim Itapuã, em Piracicaba, durante a tarde desta terça-feira,  3 de dezembro de 2025. O fenômeno ocorreu quando uma multicélula avançava em direção à cidade acompanhada por uma frente de rajada que trouxe ventos medidos em até 68,8 km/h no bairro Agronomia pelo INMET, e estimados em 70 km/h ou mais em vários bairros de Piracicaba, atigindo todo o município. A breve formação foi filmada por um caçador de tempestades.

O vídeo mostra uma rajada de vento extremamente concentrada balançando intensamente uma área de vegetação antes de atingir as primeiras casas. A turbulência gerada pela combinação entre árvores de diferentes alturas e as construções contribuiu para o surgimento do vórtice, que perdeu força rapidamente ao entrar na favela.

Segundo a Piracicaba Meteorológica, o registro é compatível com um pré-redemoinho associado à frente de rajada. Modelos alimentados com inteligência artificial estimaram que as rajadas de vento chegaram a 105 km/h durante a gênese do redemoinho, com base na inclinação, na resistência e no movimento brusco da árvore. 

O grupo observou que, no trecho filmado, os ventos sobre as árvores se inclinavam para a direita, enquanto na comunidade eram fracos e deslocados para a esquerda, padrão típico de um giro incompleto. Como se tratava de uma frente de rajada, o fenômeno resultante seria classificado como gustnado caso tivesse fechado o giro.

Os danos reportados, principalmente telhas soltas ou que chegaram a voar, ocorreram devido à própria ventania da frente de rajada, e não por influência direta do  vórtice.

A Piracicaba Meteorológica já reconhece o Vale do Itapuã como uma zona de turbulências frequentes, onde rajadas concentradas costumam surgir em situações de tempo severo.

Um entusiasta de meteorologia que acompanha tempestades na região descreveu o cenário com mais detalhes:

“Quando uma frente de rajada entra no Vale do Itapuã, acontece uma bagunça completa no padrão dos ventos. Árvores altas, árvores baixas, casas de três andares por outras mais baixas… tudo isso mexe no escoamento do ar. A área é tão irregular que você vê a chuva batendo nos morros ou nas casas e sendo refletida. Às vezes surge um giro rápido, mas ele normalmente morre logo depois porque a própria irregularidade que o formou impede que ele se mantenha. É comum ver esses pré-vórtices por aqui, mas quase nenhum fecha o redemoinho de fato.”

Diversas rajadas isoladas fora identificadas ao longo do avanço da multicélula, mas nenhuma delas evoluiu para um gustnado completamente formado. A Piracicaba Meteorológica reforça que menos de 3% das turbulências de uma frente de rajada conseguem gerar um gustnado pleno, e que episódios como o visto no Pantanal, embora chamem atenção, não são raros em situações de instabilidade intensa.

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