O que aconteceu com a câmera de Piracicaba da Clima ao Vivo?

Símbolo de uma geração de jovens observadores, equipamento completa mais de um ano fora do ar e permanece sem previsão de retorno

A câmera de Piracicaba da Clima ao Vivo, famosa entre estudantes e jovens observadores do tempo durante o El Niño de 2023-2024, continua fora do ar desde 17 de abril de 2024, último dia da temporada de chuvas de 2023-2024. Para muitos, o sumiço repentino do equipamento, instalado em 2020, ainda deixa um vazio inesperadamente nostálgico.

Instalada no topo do prédio da Andaimes 3A, na Avenida Comendador Luciano Guidotti, a câmera oferecia um dos panoramas mais amplos da cidade. Era ponto de encontro virtual de quem acompanhava tempestades, formação de cumulonimbus e até simples fins de tarde coloridos. Mas, após mais de um ano sem sinal, permanece a dúvida: afinal, o que aconteceu?

Houve tentativa de contato com a Andaimes 3A para entender o motivo da interrupção, mas não houve retorno. A falta de resposta reforçou a hipótese considerada mais plausível por observadores locais: a câmera teria sido danificada pelas próprias condições meteorológicas típicas de Piracicaba, cidade marcada por calor (≥32°C) até mesmo no inverno e uma alta frequência de tempo severo.

Com calor intenso durante a maior parte do ano, incluindo picos de 40°C na primavera, além de vendavais de até 100 km/h ou mais e granizo frequente, a câmera, que não possuía proteção, foi desgastada durante seus 4 anos de atividade e nunca foi substituída.

Entre meados de 2020 e abril de 2024, o equipamento presenciou pelo menos 8 dias ou mais com máximas superiores a 40°C, incluindo o pico histórico de 41,5°C em 21 de setembro de 2021. Adicionalmente, enfrentou o microburst com ventos de até 135 km/h em 27 de setembro de 2023 e a chuva de granizo com pedras de até 4 cm de diâmetro em 12 de agosto de 2023.

A retrospectiva também mostra que o equipamento ficou fora do ar diversas vezes em janeiro de 2025, já indicando sinais de desgaste. Um observador que estudava no 9º ano da Escola Estadual Professor Augusto Saes (bairro Nova América), perto do local, relata que na época tinha 14 anos e passava diariamente em frente à empresa ao sair da escola.
“Ela ficava lá em cima do prédio, exposta. Todo dia eu olhava pra ver se ainda tava firme. Quando parou de transmitir, nem me surpreendi tanto… mas doeu, porque a gente acompanhava tudo por ela, seja no intervalo ou na sala de aula”, conta.

Para muitos adolescentes da época, especialmente os que não tinham como observar tempestades de casa, a câmera funcionava como uma janela para o céu de Piracicaba.
“Eu tinha 13 anos e corria pro celular no intervalo pra ver se tava formando alguma coisa, porque seria esquisito ficar grudada na janela toda hora”, relembra uma estudante. “Na época do El Niño, aquilo salvava. Eu via a parede de chuva chegando pela câmera antes de chegar na escola.”

Outro observador também recorda que a câmera marcou sua adolescência e foi fonte de aprendizado:
“Quando dava aquelas tempestades lá pro lado do Santa Terezinha, era a Clima ao Vivo que mostrava primeiro. A gente aprendia muito só assistindo. Até arde o coração quando nos lembramos daqueles tempos do final de 2023.”

Muitas câmeras disponíveis em Piracicaba têm acesso restrito, portanto poucas alcançaram o mesmo impacto cultural entre os jovens observadores.
“Aquela ali marcou. Quem viveu 2023 sabe. Você abria a transmissão e já sabia se ia dar tempestade ou não”, afirma outro estudante que tinha 13 anos na época, também ex-aluno da E.E. Prof.  Augusto Saes.

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