Microburst com ventos de 140 km/h atinge Piracicaba e deixa um ferido


Uma tempestade de intensidade excepcional atingiu a Zona Norte de Piracicaba e o distrito do Artemis por volta das 16h50 da sexta-feira (10), deixando um rastro de destruição. As rajadas de vento foram estimadas em até 140 km/h, com danos severos principalmente em Santa Teresinha, na Vila Sônia, no Itaperu, no Parque Piracicaba, na sede municipal, e no Jardim Itaicaba, no distrito do Artemis. A Piracicaba Meteorológica confirmou a ocorrência de um microburst de alta intensidade.

Zona Sul e os bairros mais ao sul das zonas Oeste e Leste registraram apenas uma tempestade de raios que assustou os moradores, sem chuva intensa. Essa alta atividade elétrica é uma característica típica de supercélulas em formação e destacou a severidade do temporal. Houve alagamentos nas avenidas 31 de Março e 1º de Agosto. Também choveu granizo no Bongue, Centro, Jardim Itaicaba (no Artemis), Jupiá, Santa Teresinha, São Dimas, Vila Sônia, Vila Rezende e adjacências.

Na Usina Costa Pinto, da Raízen, em Santa Teresinha, o microburst atingiu em cheio, causando destruição severa. Estruturas foram danificadas, árvores arrancadas e destroços se espalharam por uma ampla área. Análises preliminares feitas pela Piracicaba Meteorológica descartam a ocorrência de tornado, mas apontam ventos entre 140 e 150 km/h na região da usina.

Os bairros mais afetados pelos ventos incluem Santa Teresinha, Parque Piracicaba, Vila Sônia, Itaperu e o distrito industrial Uninorte, além do Jardim Itaicaba, no Artemis, onde também houve acúmulo expressivo de granizo.

A Rodovia Geraldo de Barros (SP-304) precisou ser interditada em trechos devido à queda generalizada de árvores e postes, e o perfil Alerta Piracicaba registrou dezenas de relatos de casas destelhadas, veículos balançando, portas parecendo que seriam arrancadas e até paredes desabadas.

“O ônibus balançou muito com a força do vento e da chuva forte”, relatou um trabalhador que estava na usina.

“Achei que a casa fosse desabar. A porta da sala parecia que ia ser arrancada. Foi bizarro!”, contou uma moradora.

“O carro balançava com o vento e granizo, galhos enormes caindo. Parecia bomba! Achei que ia acontecer uma tragédia comigo”, relatou outra.

Outros moradores também relataram destelhamentos, inundações e blecaute. No bairro Itaperu, casas foram destelhadas e árvores caíram sobre residências. Já na Vila Sônia, até paredes de construções desabaram. No distrito do Artemis, também houve destelhamentos e ruas ficaram intransitáveis por causa do granizo e da vegetação derrubada.

Na SP-127, um caminhão tombou após colidir com outra carreta e perder o controle na pista molhada. O motorista foi socorrido ao hospital. A ETA Capim Fino também precisou interromper temporariamente as operações devido à queda de energia na captação 3.

De acordo com análises, o evento superou em intensidade o vendaval de 22 de setembro, ocorrido no início da temporada de chuvas, e possivelmente foi mais forte até mesmo que os episódios de 27 de setembro de 2023 e 21 de julho de 2013.

Entusiastas alertam para a tendência de tempestades agressivas nos próximos meses:

“A intensidade dessas tempestades é atípica para Piracicaba. O padrão observado em 2025 tem precedentes apenas em 2005 e, em menor grau, 2016”, afirmou um observador local, destacando que o ano já registrou um tornado e várias supercélulas.

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