Supercélulas são subestimadas em Piracicaba, aponta estudo da Piracicaba Meteorológica

Supercélula em Piracicaba em 27 de junho de 2025

Um estudo publicado ontem (30/08/2025) pela Piracicaba Meteorológica revelou que supercélulas na cidade continuam sendo amplamente subestimadas, mesmo com registros cada vez mais detalhados nas últimas décadas. A pesquisa analisou o evento de 27 de junho de 2025, quando uma supercélula clássica se formou fora da estação tradicional de tempestades severas, mostrando que condições moderadas de instabilidade podem gerar sistemas altamente organizados.

Segundo o estudo, a tempestade apresentou mesociclone persistente, nuvem-cauda (tail cloud) e correntes ascendentes intensas, características típicas de supercélulas, mas que inicialmente foram classificadas de forma equivocada por parte da mídia e até de alguns meteorologistas. Relatos nas redes sociais, muitas vezes alarmistas ou superficiais, contribuíram para a subestimação do fenômeno, que chegou a ser descrito como um simples cumulus congestus ou cumulonimbus comum.

A Piracicaba Meteorológica ressalta que a histórica subestimação se deve a dois fatores principais: o enfoque tradicional da meteorologia brasileira em sistemas de grande escala, e a tendência de considerar supercélulas apenas quando produzem tornados. “Muitas tempestades organizadas passam despercebidas ou são registradas como convectivas comuns, mesmo apresentando mesociclone e estrutura típica de supercélula”, afirma o estudo.

O evento de junho demonstrou que, mesmo com índice CAPE moderado e fora da estação chuvosa, a combinação de cisalhamento vertical favorável, convergência entre massas de ar e disponibilidade de ar quente e úmido permitiu o desenvolvimento de um sistema convectivo intenso. A análise integrada de radar, imagens de satélite, sondagens atmosféricas e observações de campo foi fundamental para confirmar o evento como uma supercélula

O estudo também destaca a importância de protocolos de documentação detalhada e observação direta, apontando que a experiência de observadores especializados e stormchasers é essencial para evitar classificações superficiais. Com o crescimento da rede de meteorologia voluntária de Piracicaba desde 2023, tornou-se possível identificar a frequência real das supercélulas em Piracicaba, mesmo aquelas que não produzem fenômenos severos evidentes.

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