Uma análise preliminar da Piracicaba Meteorológica que reuniu registros recentes e históricos de vendavais em Piracicaba aponta que alguns bairros urbanizados parecem sofrer menos prejuízos estruturais quando comparados a outras regiões da cidade. Entre eles, o Água Branca aparece como o mais resistente, seguido pela Santa Cecília e pelo Campestre.
Na Zona Central, que abrange bairros como o Centro, o Bairro Alto, a Cidade Jardim, a Nova Piracicaba e a Vila Rezende, entre outros, as construções mais antigas, que enfrentaram por várias tempestades passadas, garantem boa capacidade de resistência. Todavia, a arborização antiga contribui para o alto número de quedas de árvores. Ademais, o São Dimas e o Clube de Campo concentram os maiores registros desse tipo de ocorrência em toda a cidade.
Na Zona Norte, onde estão o Santa Teresinha, o Santa Rosa e o Algodoal, entre outros, a vulnerabilidade se expressa tanto em destelhamentos quanto em quedas de árvores. A maior parte das quedas de árvores na Zona Norte estão concentradas no Algodoal e no Nhô Quim, bairros mais antigos e outrora precários. O macroburst de 28 de dezembro de 2024 e o surto de microbursts de 7 de dezembro de 2023 confirmaram a vulnerabilidade da região, especialmente no Algodoal. Além disso, a zona não costuma enfrentar downbursts localizados, o que resulta em menor experiência com vendavais.
A Zona Leste precisou ser dividida em setores. No setor oeste (Vila Monteiro, Vila Independência, Morumbi e proximidades), os bairros acumulam a maior parte dos relatos de queda de árvores e interrupções de energia, reflexo de uma expansão urbana acelerada e mal planejada. Já no setor sul, que inclui bairros como o Cecap, a Pompeia e o Jardim São Francisco, os problemas envolvem tanto quedas quanto episódios de destelhamento, ainda que esse segundo seja menos frequente. O setor centro-leste, onde ficam o Santa Rita, Dois Córregos, o distrito industrial Unileste e proximidades, mostra menor incidência de danos, por ser uma área menos urbanizada. Já a área da Agronomia e do Monte Alegre registra eventos mais isolados e esporádicos de quedas de árvores, concentrados sobretudo no forte macroburst de dezembro de 2024.
A Zona Sul também se divide. No setor norte, onde estão a Pauliceia, a Paulista, o Nova América e bairros adjacentes, há mais registros de queda de árvores. No setor sul, onde ficam o Campestre, o Monte Líbano e o Água Branca, prevalecem episódios de destelhamentos, principalmente no Monte Líbano e áreas mais ao norte do Campestre, ligados ao uso frequente de telhas metálicas. Também há uma variação: enquanto áreas ao norte do Campestre registram mais prejuízos durante vendavais, a porção mais ao sul resiste melhor, especialmente por essa última ser uma região mais planejada. Já o Água Branca praticamente não apresenta registros de prejuízos.
Na Zona Oeste, que engloba bairros como Morato, o Jardim Itapuã, a Vila Cristina, o Jupiá e o Jaraguá, os problemas são diferentes. Trata-se da zona com a menor incidência de quedas de árvores da cidade, devido à expansão urbana recente, mas com o maior índice de destelhamentos. Os relatos se concentram principalmente no Jardim Itapuã, no Novo Horizonte, no São Jorge e no Jardim Planalto, que possuem várias comunidades urbanas e núcleos de favela.
O levantamento mostra que o risco de queda de árvores segue a ordem:
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Zona Central (Centro, Cidade Alta, Cidade Jardim, Clube de Campo, Jardim Monumento, Nhô Quim, Nova Piracicaba, Parque da Rua do Porto, São Dimas, São Judas, Vila Rezende)
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Zona Leste (Agronomia, Cecap, Cidade Judiciária, Conceição, Dois Córregos, Jardim Abaeté, Jardim São Francisco, Monte Alegre, Morumbi, Piracicamirim, Pompéia, Santa Cecília, Santa Rita, Taquaral, Unileste, Vila Independência, Vila Monteiro)
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Zona Norte (Água Santa, Algodoal, Areião, Capim Fino, Corumbataí, Guamium, Jardim Primavera, Mário Dedini, Parque Residencial Piracicaba, Santa Rosa, Santa Terezinha, Vale do Sol, Vila Fátima, Vila Industrial, Vila Sônia)
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Zona Sul (Água Branca, Bairro Verde, Campestre, Chicó, Dona Antonia, Higienópolis, Jardim Califórnia, Jardim Caxambu, Jardim Elite, Monte Líbano, Nova América, Paulicéia, Paulista, Santa Helena)
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Zona Oeste (Água das Pedras, Castelinho, Glebas Califórnia, Jaraguá, Jardim Itapuã, Jardim Planalto, Jupiá, Morato, Novo Horizonte, Ondas, Ondinhas, São Jorge, Vila Cristina)
Já na propensão a destelhamentos, a classificação se inverte:
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Zona Oeste
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Zona Norte
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Zona Sul
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Zona Leste
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Zona Central
Assim, enquanto a Zona Central lidera em risco de quedas de árvores e a Zona Oeste concentra problemas de destelhamento, as Zonas Norte e Sul aparecem em posições intermediárias nos dois aspectos. No balanço final, entre os bairros urbanizados mais resistentes a ambos os tipos de danos, destacam-se, do maior para o menor, o Água Branca, Santa Cecília e o Campestre, nesta ordem.
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