Existem bairros mais resistentes a vendavais em Piracicaba?

Casa destelhada por um microburst ocorrido em 7 de dezembro de 2023

Uma análise preliminar da Piracicaba Meteorológica que reuniu registros recentes e históricos de vendavais em Piracicaba aponta que alguns bairros urbanizados parecem sofrer menos prejuízos estruturais quando comparados a outras regiões da cidade. Entre eles, o Água Branca aparece como o mais resistente, seguido pela Santa Cecília e pelo Campestre.

Na Zona Central, que abrange bairros como o Centro, o Bairro Alto, a Cidade Jardim, a Nova Piracicaba e a Vila Rezende, entre outros, as construções mais antigas, que enfrentaram por várias tempestades passadas, garantem boa capacidade de resistência. Todavia, a arborização antiga contribui para o alto número de quedas de árvores. Ademais, o São Dimas e o Clube de Campo concentram os maiores registros desse tipo de ocorrência em toda a cidade.

Estragos do surto de microbursts de 7 de dezembro de 2023

Na Zona Norte, onde estão o Santa Teresinha, o Santa Rosa e o Algodoal, entre outros, a vulnerabilidade se expressa tanto em destelhamentos quanto em quedas de árvores. A maior parte das quedas de árvores na Zona Norte estão concentradas no Algodoal e no Nhô Quim, bairros mais antigos e outrora precários. O macroburst de 28 de dezembro de 2024 e o surto de microbursts de 7 de dezembro de 2023 confirmaram a vulnerabilidade da região, especialmente no Algodoal. Além disso, a zona não costuma enfrentar downbursts localizados, o que resulta em menor experiência com vendavais.

A Zona Leste precisou ser dividida em setores. No setor oeste (Vila Monteiro, Vila Independência, Morumbi e proximidades), os bairros acumulam a maior parte dos relatos de queda de árvores e interrupções de energia, reflexo de uma expansão urbana acelerada e mal planejada. Já no setor sul, que inclui bairros como o Cecap, a Pompeia e o Jardim São Francisco, os problemas envolvem tanto quedas quanto episódios de destelhamento, ainda que esse segundo seja menos frequente. O setor centro-leste, onde ficam o Santa Rita, Dois Córregos, o distrito industrial Unileste e proximidades, mostra menor incidência de danos, por ser uma área menos urbanizada. Já a área da Agronomia e do Monte Alegre registra eventos mais isolados e esporádicos de quedas de árvores, concentrados sobretudo no forte macroburst de dezembro de 2024.

Queda de galho no Jardim Elite após um temporal em 20 de setembro de 2024

A Zona Sul também se divide. No setor norte, onde estão a Pauliceia, a Paulista, o Nova América e bairros adjacentes, há mais registros de queda de árvores. No setor sul, onde ficam o Campestre, o Monte Líbano e o Água Branca, prevalecem episódios de destelhamentos, principalmente no Monte Líbano e áreas mais ao norte do Campestre, ligados ao uso frequente de telhas metálicas. Também há uma variação: enquanto áreas ao norte do Campestre registram mais prejuízos durante vendavais, a porção mais ao sul resiste melhor, especialmente por essa última ser uma região mais planejada. Já o Água Branca praticamente não apresenta registros de prejuízos.

Na Zona Oeste, que engloba bairros como Morato, o Jardim Itapuã, a Vila Cristina, o Jupiá e o Jaraguá, os problemas são diferentes. Trata-se da zona com a menor incidência de quedas de árvores da cidade, devido à expansão urbana recente, mas com o maior índice de destelhamentos. Os relatos se concentram principalmente no Jardim Itapuã, no Novo Horizonte, no São Jorge e no Jardim Planalto, que possuem várias comunidades urbanas e núcleos de favela.

O levantamento mostra que o risco de queda de árvores segue a ordem:

  1. Zona Central (Centro, Cidade Alta, Cidade Jardim, Clube de Campo, Jardim Monumento, Nhô Quim, Nova Piracicaba, Parque da Rua do Porto, São Dimas, São Judas, Vila Rezende)

  2. Zona Leste (Agronomia, Cecap, Cidade Judiciária, Conceição, Dois Córregos, Jardim Abaeté, Jardim São Francisco, Monte Alegre, Morumbi, Piracicamirim, Pompéia, Santa Cecília, Santa Rita, Taquaral, Unileste, Vila Independência, Vila Monteiro)

  3. Zona Norte (Água Santa, Algodoal, Areião, Capim Fino, Corumbataí, Guamium, Jardim Primavera, Mário Dedini, Parque Residencial Piracicaba, Santa Rosa, Santa Terezinha, Vale do Sol, Vila Fátima, Vila Industrial, Vila Sônia)

  4. Zona Sul (Água Branca, Bairro Verde, Campestre, Chicó, Dona Antonia, Higienópolis, Jardim Califórnia, Jardim Caxambu, Jardim Elite, Monte Líbano, Nova América, Paulicéia, Paulista, Santa Helena)

  5. Zona Oeste (Água das Pedras, Castelinho, Glebas Califórnia, Jaraguá, Jardim Itapuã, Jardim Planalto, Jupiá, Morato, Novo Horizonte, Ondas, Ondinhas, São Jorge, Vila Cristina)

Já na propensão a destelhamentos, a classificação se inverte:

  1. Zona Oeste

  2. Zona Norte

  3. Zona Sul

  4. Zona Leste

  5. Zona Central

Assim, enquanto a Zona Central lidera em risco de quedas de árvores e a Zona Oeste concentra problemas de destelhamento, as Zonas Norte e Sul aparecem em posições intermediárias nos dois aspectos. No balanço final, entre os bairros urbanizados mais resistentes a ambos os tipos de danos, destacam-se, do maior para o menor, o Água Branca, Santa Cecília e o Campestre, nesta ordem.

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